Aposto: explicação e exemplos

Aposto: explicação e exemplos

aposto é um termo da oração que se refere a outro, o qual pode estar desempenhando qualquer função sintática, para explicá-lo ou especificá-lo. Aparece sempre separado dos demais termos por vírgulas, travessão ou dois-pontos.
Na primeira frase, o sujeito é “A primeira foto da Lua”, já na segunda, o sujeito é “A primeira foto” e “da Lua” é o aposto do sujeito, que serve para especificá-lo. O aposto, nesse caso, está dando uma informação a mais ao leitor, uma vez que a frase poderia ser, simplesmente: “A primeira foto foi tirada há 180 anos.”

Outros exemplos de aposto:

  • O pai, seu João, adorava pescar. (aposto do sujeito)
  • Ontem, sexta, eu fui dormir cedo. (ap. do adjunto adverbial de tempo)
  • Planejou tudo: viagem, férias, descanso… (ap. do objeto direto)
  • Falei pra Caroline – escritora fantástica – que comentaria o texto dela. (ap. do objeto indireto)
  • Professor exemplar, permitiu que os alunos respondessem à prova em casa. (aposto do sujeito [oculto], nota: o aposto pode vir antes do termo ao qual se refere)
  • Só conseguia pensar em uma coisa: publicar um livro – algo cada vez mais difícil -. (aposto do aposto)

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Como melhorar meu português de uma vez por todas?

Como melhorar meu português de uma vez por todas?

Desde que criamos o Português é legal, em 2012, trabalhamos com a missão de compartilhar conhecimentos de maneira clara e gratuita quase diariamente.
No entanto, muitos leitores ainda sentiam falta de ter a oportunidade de participar de um projeto mais fechado, com começo, meio e fim, e de ter a chance de interagir conosco diretamente para dar um gás no português de uma vez por todas. Ouvindo essas pessoas ao longo dos anos, reunimos ideias e desenvolvemos o curso de Atualização Gramatical, uma revisão bem abrangente dos principais conteúdos de língua portuguesa. Fizemos um criterioso trabalho de seleção de conteúdos e disponibilizamos vídeo-aulasatividadesgabaritos comentados e materiais complementares para que os alunos possam seguir uma rotina de estudos já delineada por nós. O acesso ao curso dura dois anos a fim de que todos os conteúdos possam ser revistos quantas vezes o aluno quiser. Afinal de contas, esperamos que todos aprendam pra vida, e não simplesmente pra fazer alguma prova e esquecer tudo depois. Informe-se e aproveite a oferta de lançamento: www.portuguespravida.com.br.

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Fui ao mossar. E você?

Fui ao mossar. E você?

Antes de falarmos do “fui ao mossar”, façamos um exercício.

Leia as palavras a seguir:
sékiço
cécso
séquisso
sécço
cékiço

Imagino que qualquer pessoa alfabetizada, mesmo com um pouco de dificuldade ou estranhamento, tenha reconhecido “sexo” em todas as ocorrências acima.

Isso acontece porque existem diversas POSSIBILIDADES sobre como escrever uma palavra, embora somente uma tenha sido ELEITA como correta. É isso que chamamos de CONVENÇÃO.
A convenção é um combinado, um acordo, um trato.

Se uma noiva decidiu que as madrinhas devem usar vestidos rosa (sem plural!) na cerimônia, isso é uma convenção. Não significa que um vestido verde seja inerentemente errado. Significa apenas que, naquele universo, por não ter sido eleito como a opção correta, ele não será visto com bons olhos.
Acontece o mesmo com a ortografia!

Não dá pra dizer que a ortografia seja totalmente aleatória, mas os critérios variam (há grafias que se justificam com base em etimologia, e outras que se justificam com base em critérios fonéticos, por exemplo). De todo modo, como não há um único critério, o que acaba valendo no final é conhecer a convenção, mesmo que a gente não saiba os porquês.
Por que escrevemos “casa” e não “kaza”?
Por que “excesso” e não “eceço”?
Por que “exigir” e não “ezijir”?
Por que “ficção” e não “fiquissão”?

(Aviso aos navegantes: se os olhos “doem” ao ler a palavra com a grafia diferentona, o único motivo é a falta de costume.)

O que eu quero dizer com tudo isso?

Sei que um dos meus papéis em uma sala de aula, mesmo que virtual, é ensinar as convenções.
Mas não podemos deixar de admitir que a escrita “fui ao mossar” é resultado de UMA SÉRIE DE HIPÓTESES CORRETAS.
O verbo IR de fato exige a preposição A: fui ao cartório, fui à biblioteca, fui ao restaurante.
“Mossar” e “moçar” têm sons idênticos.
Quem está pouco familiarizado com a escrita pode concluir que “fui ao jantar” e “fui ao mossar” são construções análogas.
Ou seja, a escrita inesperada tem seu charme e sua graça, mas não demonstra burrice nem ignorância, como se costuma imaginar. Pelo contrário: demonstra que o falante desconhece essa convenção específica, mas conhece várias regras/regularidades da língua. E demonstra também que a língua é cheia de possibilidades. A gente é que se acostumou a tratá-la como algo homogêneo, talvez pra simplificar.
Será?

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Aliteração, assonância, malsonância e cacofonia

Aliteração, assonância, malsonância e cacofonia

ALITERAÇÃO

É um recurso linguístico, ou figura de linguagem, em que se repetem sons CONSONANTAIS (consoantes) a fim de se criarem ritmo e impacto sonoro. Ou seja, é uma ferramenta de estilo.

É muito comum nos trava-línguas, como “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”

 

Exemplos na literatura:

“De tudo que é negtorto

Do mangue e do cais do porto

Ela já foi namorada

O seu corpo é dos errantes

Dos cegos, dos retirantes

É de quem não tem mais nada”

(Chico Buarque)

 

“ela espanta e encanta
nmesma rima
nmesma cama”

(Léo Ottesen)

 

ASSONÂNCIA

Similar à aliteração, mas se repetem sons VOCÁLICOS (vogais). Difere-se da simples rima uma vez que não necessariamente aparece no final das palavras e frases ou versos.

 

Exemplos na literatura:

“Lava roupa todo dia, que agonia

Na quebrada da soleira, que chovia

Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada

Uma mulher não deve vacilar”

(Luiz Melodia)

 

ela espanta e encanta
na mesma rima
e na mesma cama

(Léo Ottesen)

 

MALSONÂNCIA

A aliteração e a assonância, enquanto figuras de estilo, servem a propósitos artísticos, são ferramentas que os autores utilizam a fim de causar algum efeito, como os sonoros de ritmo (principalmente, na música, mas também na poesia) e os sonoros de imagem. Por exemplo: o T (com sons de T e TCH, “tanto”, “tinha”) e o K (“quanto”, “casa”, “cai”) são sons secos, lembram algo batendo, por isso são utilizados em textos que tenham a ver com alguma forma de violência, ainda que branda.

Ainda que de forma inconsciente, os autores utilizam essas ferramentas com um sentido específico, ou seja, não são por acaso.

Já quando essa utilização é acidental, sem propósito, e causa algum desconforto no leitor ou ouvinte, ela é malsonante, isto é, soa mal.

 

Exemplo do próprio texto:

“(…) são sons secos…”

A repetição do S faz com que a voz na nossa mente sibile, imite uma cobra, mas isso não tem função poética, já que o texto é explicativo. Nesse caso, a aliteração não é uma figura, mas um vício de linguagem chamado de malsonância.

 

CACOFONIA

Um tipo de malsonância em que se formam outras palavras a partir dos sons já existentes.

 

Exemplos clássicos:

“Eu amo ela.” (moela)

“Eu vi ela.” (viela)

“Música gaúcha.” (caga)

 

BÔNUS: Durante uma aula de conversação em francês, eu disse que, do alto do apartamento, se via “une mer de personnes” (um mar de gente). Minha professora disse que tava ótimo, mas eu devia tirar a merda (mer de).

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