29 Novembro 2020

Leia:

Em qual das mensagens vemos que a pessoa ainda está desconfiada sobre a suposta mentira? ⁣

🔸Aqui temos um exemplo de sutilezas da língua! Não consigo derivar uma “regra” desse exemplo, mas é uma ocorrência comum no dia a dia. ⁣

🔸A resposta “Eu sei!” sugere que a pessoa realmente sabe e está reafirmando isso. A resposta “Sei!” sugere desconfiança. ⁣

Quem chamou minha atenção para isso foi meu pai, que daria um ótimo linguista! 😍⁣

🔸Em outros contextos, a presença ou a ausência do pronome pode ter outros efeitos. Imagine uma festa cheia de amigos. Alguém grita “Vocês querem que eu troque a música?”. A resposta “Quero!” é suficiente para expressar o próprio desejo, mas, ao dizer “Eu quero!”, a pessoa coloca o “eu” em evidência, podendo sugerir algo como “mas não sei se os outros também querem”. Isso não está escrito nas gramáticas, viu? Estou imaginando SITUAÇÕES e SENTIDOS POSSÍVEIS. ⁣

Essas sutilezas que observamos no dia a dia são fundamentais para interpretar textos (escritos ou orais). ⁣

E você, conseguiu entender a diferença ao ler as duas mensagens da imagem?

Leia: Em qual das mensagens vemos que a pessoa ainda está desconfiada sobre a suposta mentira? ⁣ ⁣ 🔸Aqui temos um exemplo de sutilezas da língua! Não consigo derivar uma “regra” desse exemplo, mas é uma ocorrência comum no dia a dia. ⁣ ⁣ 🔸A resposta “Eu sei!” sugere que a pessoa realmente sabe e […]

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Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



11 Dezembro 2019

Vem que eu vou contar tudinho sobre esse assunto!

A informação é verdadeira e se deve ao fato de que os romanos dedicaram cada dia da semana a uma divindade de sua mitologia, na seguinte sequência: deus Sol, deusa Lua, Marte (deus da guerra), Mercúrio (deus da eloquência e do comércio), Júpiter (deus do raio e do trovão), Vênus (deusa do amor) e Saturno (deus do tempo).

 

Essas divindades eram representadas pelos astros que os romanos conseguiam ver. E esse sistema de nomenclaturas foi seguido por praticamente todas as línguas europeias. Veja:
Espanhol: lunes, martes, miércoles, jueves, viernes, sábado, domingo.⁣⁣
Francês: lundi, mardi, mercredi, jeudi, vendredi, samedi, dimanche.⁣⁣
Italiano: lunedì, martedì, mercoledì, giovedì, venerdì, sabato, domenica.⁣⁣
Porém, como os dias eram consagrados a divindades “pagãs”, os cristãos romanos não aceitaram essa forma de nomeá-los. Na região oeste da Península Ibérica, hoje Portugal, um arcebispo condenava o sistema de “nomearem por ‘demônios’ os dias que Deus fez”. Assim, adotaram um sistema enumerativo:
Prima feria (domingo)
Secunda feria (segunda-feira)
Tertia feria (terça-feira)
Quarta feria (quarta-feira)
Quinta feria (quinta-feira)
Sexta feria (sexta-feira)
Eles mantiveram somente o nome do último dia da semana: o sabbatum, que vem do Shabbat judeu.
Em 321 d.C., o imperador romano Constantino I trocou a denominação do primeiro dia (Prima Feria) por Dies Dominicus (“Dia do Senhor”), considerando que esse foi o dia da ressurreição de Cristo. É daí que surgiu o nosso “domingo”.
Bom, a Igreja Católica não queria ficar sozinha nessa e conduziu uma vigorosa campanha – por séculos – para que todos os idiomas adotassem o sistema enumerativo, mas não adiantou: a língua portuguesa é a única língua românica em que o nome dos planetas foi de fato substituído pelos numerais.
O uso de “feria” (que se tornou “feira” em português) ainda é controverso, pois em latim esse termo significa “dia de descanso; férias”. Há varias hipóteses diferentes para explicá-lo. Estas estão entre as mais populares:
• A ordem do bispo valia apenas para os dias da Semana Santa, em que se recomenda o descanso para os cristãos. Depois é que a nomenclatura acabou sendo estendida para o ano inteiro.
• Para alguns estudiosos, “feria” está relacionada a “ferre” (levar). Esse seria o dia de levar o gado e os frutos da terra para vender no mercado (mais tarde, feira), o que era considerado um dia de descanso, já que o trabalho real consistia em lidar com a terra.
Hoje, os dias que levam “feira” são os dias de trabalho, mas, no plural, o termo “feria” indica justamente o período de descanso (férias).
Fonte: livro “A origem curiosa das palavras”, de Márcio Bueno.

Vem que eu vou contar tudinho sobre esse assunto! A informação é verdadeira e se deve ao fato de que os romanos dedicaram cada dia da semana a uma divindade de sua mitologia, na seguinte sequência: deus Sol, deusa Lua, Marte (deus da guerra), Mercúrio (deus da eloquência e do comércio), Júpiter (deus do raio […]

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19 Maio 2019

Um leitor pergunta se é errado falar ou escrever “Bom dia a todos e a todas”.

Que pergunta interessante! Vamos analisar?

Dizer “Bom dia a todos” seria suficiente para incluir homens e mulheres, uma vez que a língua portuguesa se vale da forma masculina como o uso “neutro” que abrange elementos de gêneros distintos. Desse modo, “todos e todas” pode ser considerado uma redundância (ou pleonasmo) de fato.

No entanto, pergunto: o EFEITO DE SENTIDO é o mesmo quando o falante faz questão de explicitar o “todas”, com o gênero feminino, que não costuma ser marcado? CLARO QUE NÃO! Quem decide usar “todos e todas” sabe que não seria necessário, mas ESCOLHE fazê-lo. Em sociedades nas quais mulheres não foram consideradas interlocutoras por muito tempo, esse esforço do falante de ressaltar que se dirige também a elas é compreensível.

Recapitulando:
Dizer somente “Bom dia a todos” é suficiente? SIM.
Incluir “todos e todas” é errado? NÃO.
É necessário? NÃO.
Dá na mesma? NÃO.
Explicita um desejo do falante de ser inclusivo? SIM.

É só isso.
Você pode escolher como prefere falar, ok? Só não diga por aí que a redundância é idiota ou inútil, porque ela vem CARREGADA de sentidos e intenções inegáveis.

🌟
Como vocês têm notado com nossas postagens sobre vírgula e crase, pequenas mudanças provocam grandes impactos para o sentido. É fundamental não desprezar isso.

 

Um leitor pergunta se é errado falar ou escrever “Bom dia a todos e a todas”. Que pergunta interessante! Vamos analisar? Dizer “Bom dia a todos” seria suficiente para incluir homens e mulheres, uma vez que a língua portuguesa se vale da forma masculina como o uso “neutro” que abrange elementos de gêneros distintos. Desse […]

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15 Março 2019

Não há resposta simples para um problema complexo, nem uma resposta única para casos de pessoas diversas. Bora analisar? Talvez algum dos tópicos te ajude.

 

1) Quem erra pode não saber que está errando. Por exemplo: quando você vai fazer musculação, natação ou aula de dança, pode ser que o professor note que seus movimentos estão tortos ou incorretos, quando você tinha impressão de estar fazendo tudo perfeitamente. Olhar de fora revela informações que a pessoa nem sempre consegue ter sobre si. Por isso, a intervenção de um professor é fundamental para todo aprendiz. Além disso, quando lidamos com algo que achamos que está certo, aquela pulga atrás da orelha que poderia nos salvar acaba nos deixando na mão. Quem não sabe que “por em XEQUE” se escreve assim pode ficar satisfeito com a grafia “cheque”. Quem já se acostumou com “dó” como uma palavra feminina não vai checar no dicionário se o certo seria dizer “estou com um dó”. Quem acha que sabe conjugar o verbo “intermediar” não vai consultar uma gramática e pode achar estranha a forma (correta) “eu intermedeio”. Do mesmo modo, quem está acostumado a ler sempre “concerteza” pode nem prestar atenção quando lê “com certeza” e não se atentar para a diferença.

 

2) Muitas pessoas que não frequentaram boas escolas têm tido acesso ao ensino superior, o que cria uma leva de universitários ou pessoas diplomadas com conhecimento restrito de língua portuguesa. Muitas vezes, essas pessoas não sabem que têm um conhecimento frágil. Se você conhece alguém nessa situação, informe essa pessoa. O uso da norma-padrão confere credibilidade a profissionais de diversas áreas e é muito importante (é por acreditar nisso que estamos na internet desde 2012 espalhando informações e lançamos em 2019 um curso on-line de Atualização Gramatical). Cupom de desconto válido até 30/12: FELIZNATAL!.

 

3) Há erros de diferentes naturezas que revelam muitas informações extralinguísticas. Muitas pessoas consideradas cultas usam de modo inadequado a expressão “a nível de”. Em geral, trata-se de alguém que está tentando falar com sofisticação, mas erra. É diferente de alguém que usa “menas”, “mais mió”, “pobrema”, “modiquê”. Esse tipo de erro é característico de meios sociais economicamente menos favorecidos, razão pela qual a reclamação sobre esse tipo de uso costuma ser vista como preconceito linguístico e social. Quem fala “mais mió” provavelmente não teve acesso a um ensino de qualidade, ou não teve oportunidade de se atualizar. Se teve, pode ter priorizado outros aspectos do ensino, sem se dar conta de que não fala o português considerado adequado em contextos mais formais.

 

4) É comum ficarmos cegos aos nossos próprios erros. Sou formada em Letras, tenho pós-graduação em Tradução e mestrado em Educação. Já fui revisora, tradutora e editora de livros. Releio todas as publicações antes de postar aqui, e às vezes algum seguidor deixa um comentário avisando que errei. Acontece. Mesmo com experiência em língua portuguesa, contratei outro revisor para todos os meus trabalhos acadêmicos, pois alguns erros meus passavam batido para mim.

 

5) Quem não conhece determinada regra não tem como se avaliar. Há pessoas que leem muito e que, apesar de terem muito conhecimento, não conseguem expandir o repertório ortográfico. Algumas pessoas precisam correr atrás disso com mais afinco (como professores), mas há outras para quem isso não será prioridade. E tudo bem.

 

6) Não ridicularize alguém que deveria ter um conhecimento e não tem, sobretudo se você for professor. Não há nada de pedagógico em fazer um aluno se sentir inferiorizado, quando na verdade ele precisa de motivação para recuperar o tempo perdido e se empenhar em uma tarefa que será longa (porque eterna). Não se conclui o estudo de língua materna nunca, então ele precisa ser iniciado e mantido com serenidade.

 

“Mas eu não posso me indignar quando alguém não usa a língua portuguesa corretamente?”

 

Pode! Você pode se incomodar com alguns usos, pode achar alguns mais bonitos ou feios que outros, pode se indignar com pessoas específicas que tiveram acesso a boas escolas e não aproveitaram etc. Também lamentamos que o conhecimento dos padrões da língua seja tão restrito. Mas a gente resolve isso compartilhando ensinamentos, e não expondo ou ridicularizando as pessoas.

Nossa opinião é esta, e a sua?

Não há resposta simples para um problema complexo, nem uma resposta única para casos de pessoas diversas. Bora analisar? Talvez algum dos tópicos te ajude.   1) Quem erra pode não saber que está errando. Por exemplo: quando você vai fazer musculação, natação ou aula de dança, pode ser que o professor note que seus […]

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