11 Agosto 2017

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Acabo de ver por acaso o trailer do filme “Cegonhas – A história que não te contaram” e fiquei pensando sobre o incômodo que esta cena causaria em algumas pessoas. Afinal de contas, “surpresa inesperada” não é redundância?

Se uma surpresa é, por definição, algo que causa admiração, espanto e quebra de expectativa, somos levados a pensar que o fato de não ser esperada está implícito. Portanto, “surpresa inesperada” seria, sim, um pleonasmo.

Os pleonasmos (ou redundâncias) consistem na repetição de ideias. “Subir pra cima” e “descer pra baixo” são alguns dos exemplos mais comuns, mas também podemos citar “certeza absoluta”, “maluco da cabeça”, “amanhecer o dia”, “olhar com os olhos”, “conclusão final” etc. No entanto, embora muita gente considere essas ocorrências vícios de linguagem abomináveis, elas podem ser usadas de modo deliberado pra indicar ênfase. Trata-se de uma escolha estilística! Quando se diz “surpresa inesperada”, a intenção é que o ouvinte ou leitor saiba o quanto aquilo causou espanto!

Aliás, também é possível pensarmos que existem, sim, surpresas esperadas. Por exemplo: alguém pode ter a expectativa de receber uma festa surpresa, ou de receber um presente surpresa, ou um pedido de casamento etc. Como sabemos que fazer surpresa é algo comum em nossa sociedade, é comum que muitas pessoas esperem por elas ou as desejem. Por isso, frisar que se tratou de uma surpresa que foi de fato inesperada não é nenhum absurdo.

Além disso, o fato de alguma expressão se encaixar da definição de “redundância” não significa que seja preciso evita-la sempre. Pode-se maneja-la de maneira a construir algum sentido desejado. Outro exemplo: se eu penso a respeito de algum problema e vou chegando a diferentes conclusões ao longo do processo, é bastante coerente falar em “conclusão final”, concordam?

Nem tudo é regra no campo da língua!  🙂

#portugueselegal

  Acabo de ver por acaso o trailer do filme “Cegonhas – A história que não te contaram” e fiquei pensando sobre o incômodo que esta cena causaria em algumas pessoas. Afinal de contas, “surpresa inesperada” não é redundância? Se uma surpresa é, por definição, algo que causa admiração, espanto e quebra de expectativa, somos […]

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7 Agosto 2017
(  ) A palestra foi sobre ensino, educação, língua portuguesa etc.
(  ) A palestra foi sobre ensino, educação, língua portuguesa, etc. 
A vírgula antes de “etc.” é FACULTATIVA.
Sendo assim, como decidir se você deve usar ou não?
Vamos às explicações.
Tradicionalmente, não se recomendava vírgula antes de “etc.” porque se trata de uma abreviatura (usada internacionalmente) para a expressão latina “et cetera” (ou ainda “et cætera”, ou “et coetera”), que significa “e assim por diante”, “e outras coisas do mesmo tipo” ou “e o resto”. Como sabemos, são poucos os casos em que aparece vírgula antes do “e” em língua portuguesa (e a listagem de itens NÃO está entre eles).
Como a expressão é iniciada pela conjunção “et” (que corresponde ao nosso “e”), muitos condenam também o uso do “e etc.” alegando que isso geraria uma repetição.
No entanto, a visão gramatical moderna tem se distanciado desses preceitos, especialmente porque a etimologia de cada palavra ou expressão acaba se perdendo com o tempo e seria impossível nos mantermos informados acerca de todas essas amarras ao fazermos uso da língua.
Temos, então, duas possibilidades de uso:
Comprei leite, legumes, frutas, etc. no mercado.
Comprei leite, legumes, frutas etc. no mercado. 
Reparem que, mesmo aparecendo no meio da frase, o “etc.” permanece com ponto final, pois ele faz parte da abreviatura. Mas, se o “etc.” estivesse no fim da frase, não dobraríamos o ponto (ou seja, um único sinal serviria para indicar o fim da frase e o fim da abreviatura):
Comprou no mercado leite, legumes, frutas etc.  
Comprou no mercado leite, legumes, frutas, etc.  
Também não se recomenda usar o “etc.” acompanhado de reticências, pois esses dois recursos podem ter a mesma função (indicar que há outros itens naquela enumeração).
A vírgula só é obrigatória se repetirmos o “etc.” algumas vezes, pois nesse caso teríamos uma enumeração: “Ele tentou se justificar, começou a falar dos problemas que está vivendo, citou que perdeu o emprego etc., etc., etc.” (Reparem que antes do primeiro “etc.” poderia haver vírgula ou não).
Por fim, apesar de EU achar que é uma tentativa de erudição um pouco excessiva, também se sabe que antigamente era comum criticarem também o uso de “etc.” ao final de uma lista de pessoas, visto que, ao pé da letra, a expressão se refere a outras “coisas”. Mesmo sabendo que muitos autores usam o “etc.” em referência a pessoas, algumas alternativas para quem preferir evitar esse emprego são “e assim por diante” e “entre outros”, por exemplo.
Diante de tantas possibilidades, o importante é se atentar a padronizações. Dentro de um mesmo trabalho acadêmico, por exemplo, escolha uma opção e use-a até o fim, para manter o texto uniforme. Se você trabalha para empresas como editoras, jornais e revistas, procure saber o padrão da casa, uma vez que em cada lugar é adotada uma convenção diferente, algo fácil de perceber com a leitura de diversos jornais.
Nos demais contextos, fique à vontade para ter suas preferências, sempre com a certeza de que qualquer opção pode ser considerada correta.

 

 

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25 Abril 2017

Neste vídeo, Pablo discute o significado de pleonasmo, mostra alguns exemplos e explica por que é uma bobagem a ideia de que pleonasmo é sempre um erro!

Para a conceituação de pleonasmo, foram usadas a Gramática Houaiss (José Carlos de Azeredo) e a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Celso Cunha, Lindley Cintra).

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Neste vídeo, Pablo discute o significado de pleonasmo, mostra alguns exemplos e explica por que é uma bobagem a ideia de que pleonasmo é sempre um erro! Para a conceituação de pleonasmo, foram usadas a Gramática Houaiss (José Carlos de Azeredo) e a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Celso Cunha, Lindley Cintra). Curta este vídeo, […]

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13 Março 2017

Muitos dicionários definem a ironia como uma figura por meio da qual dizemos o contrário daquilo que realmente pretendemos expressar. No entanto, essa característica não é suficiente para ensinar alguém a ser irônico, principalmente por escrito, quando não contamos com o recurso da entonação. Neste vídeo, Carol ensina outros aspectos para quem quer ser irônico por escrito. Assistam e se inscrevam em nosso canal!

 

Muitos dicionários definem a ironia como uma figura por meio da qual dizemos o contrário daquilo que realmente pretendemos expressar. No entanto, essa característica não é suficiente para ensinar alguém a ser irônico, principalmente por escrito, quando não contamos com o recurso da entonação. Neste vídeo, Carol ensina outros aspectos para quem quer ser irônico […]

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