9 Janeiro 2019

A metáfora é uma figura de linguagem que consiste em comparar duas coisas que mantenham relação de semelhança entre elas, mas de maneira implícita. Assim, a metáfora se difere de outra figura, chamada simplesmente de comparação, porque esta é explícita, apresentando termos comparativos

Exemplos:

Comparação: “Seus olhos são como dois oceanos.” ou “Seus olhos parecem dois oceanos.”

Metáfora: “Seus olhos são dois oceanos.

Dessa forma, entendemos as metáforas como formas poéticas de se falar sobre uma coisa, invocando outra. Então, sobre a frase justificada pela ministra como sendo uma metáfora, será que é mesmo?

NÃO!

O que a senhora faz não é comparar, mas sim representar uma ideia através de uma expressão. Aqui, o que podemos ter é a figura da METONÍMIA ou até ALEGORIA, já que a ministra utiliza as cores para simbolizar os estereótipos e papéis sociais de gênero (além de para ser transfóbica).

“Menino veste azul e menina veste rosa” compreende uma vasta gama de coisas antiquadas não ditas, como: menino brinca de carrinho e menina, de boneca; homem trabalha fora, mulher cuida da casa; homem joga futebol com os amigos, mulher cuida dos filhos; homem gosta de mulher, mulher gosta de homem.

Além disso, segundo a análise do discurso, usando um termo com sentido positivo e poético, como “metáfora”, ela procurou suavizar o impacto real que a sua frase teria, já que o público simpatiza com a beleza das metáforas.

A metáfora é uma figura de linguagem que consiste em comparar duas coisas que mantenham relação de semelhança entre elas, mas de maneira implícita. Assim, a metáfora se difere de outra figura, chamada simplesmente de comparação, porque esta é explícita, apresentando termos comparativos Exemplos: Comparação: “Seus olhos são como dois oceanos.” ou “Seus olhos parecem […]

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Léo Ottesen é escritor, poeta e professor de escrita criativa.



12 Outubro 2018

Olá, professores e diretores de escolas que aderiram ao PNLD Literário 2018!

Neste mês de outubro de 2018, vocês têm a importante tarefa de selecionar os livros literários que serão enviados para seus alunos. Como há ótimas e variadas opções, decidi escrever a vocês para indicar uma obra da qual sou grande admiradora. É uma excelente notícia saber que tantos alunos terão a chance de ler livros tão preciosos quanto aqueles selecionados para o PNLD Literário 2018!

Minha indicação é uma obra chamada Mindinho maior de todos, com poemas de Juliana Valverde e ilustrações de Feres Khoury. O universo infantil está contemplado no livro por meio de poemas muito instigantes, sonoramente agradáveis, permeados por assuntos como mundos e seres imaginários, o medo, a casa, o amigo, o irmão mais novo, a mãe, fadas e assim por diante. Você pode conhecer estas maravilhas clicando aqui.

Além disso, as imagens do livro fazem dele uma verdadeira coletânea de arte ao alcance dos alunos. Juntos, os textos e as imagens convidam os leitores a reflexões sobre importantes elementos de nossas vidas e sobre emoções humanas. Tudo isso faz dessa obra muito significativa para as mais variadas faixas etárias, sobretudo para crianças entre 8 e 11 anos.

Nas primeiras leituras, você e seus alunos certamente viverão momentos muito agradáveis de fruição literária e estética. Para além da fruição, o livro também pode constituir uma importante ferramenta pedagógica, pois contribui para a formação de leitores, para o estudo do gênero poema e para a ampliação do repertório dos alunos. Há um material de apoio ao professor bem completo e você pode conhecê-lo previamente clicando aqui.

A escolha do PNLD Literário 2018 ocorrerá do dia 18/10 ao dia 31/10. Fique atento ao prazo!

Veja mais informações:

 

Professores e dirigentes participam juntos dessa importante decisão. Depois, os diretores registram as escolhas no site pddeinterativo.mec.gov.br.

Não deixe de participar! Acesse o Guia Digital do PNLD Literário clicando aqui.

Você pode assistir à leitura de um dos poemas feita pelo Pablo Martins em nosso canal:

 

Boas escolhas!

 

Olá, professores e diretores de escolas que aderiram ao PNLD Literário 2018! Neste mês de outubro de 2018, vocês têm a importante tarefa de selecionar os livros literários que serão enviados para seus alunos. Como há ótimas e variadas opções, decidi escrever a vocês para indicar uma obra da qual sou grande admiradora. É uma […]

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Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



16 Setembro 2018

 

“Gente que quer um romance como o de Romeu e Julieta sem saber que foi um romance de três dias e seis mortos. É preciso ler!”

A placa é divertida, sem dúvida, e certamente desperta a simpatia de quem conhece a obra. Mas ela também suscita muitos questionamentos:

Que livros leríamos se não soubéssemos quais são considerados leitura obrigatória nos dias de hoje?
Mais vale um repertório amplo e variado ou um repertório enxuto e composto por obras que têm sido eleitas como canônicas?
A literatura pode invadir nossas vidas de tal forma que citamos suas referências mesmo sem conhecimento profundo, ou é preciso ser preciso ao recorrer ao mundo literário?
Os critérios de quem define o cânone literário são universais?
De que modo o imaginário popular acerca de enredos e personagens literários de livros que não foram lidos se relaciona à literatura? Há impactos, efeitos, influências?
A popularização de ideias relacionadas a livros não lidos aproxima ou afasta as pessoas da leitura?
Quem define o que deveria ser lido por todos? E quanto às grandes obras às quais esse grupo eventualmente não tenha tido acesso?
Será que existe um repertório básico obrigatório a todo bom leitor?
Como interpretar o fato de uma obra como Romeu e Julieta habitar o imaginário popular como modelo de amor romântico?
Perguntas…

 

Tradução: Romeu e Julieta não é uma história de amor. Trata-se de um relacionamento de 3 dias entre uma pessoa de 13 anos e outra de 17 que resultou em 6 mortes. Atenciosamente, todos que leram o livro.

  “Gente que quer um romance como o de Romeu e Julieta sem saber que foi um romance de três dias e seis mortos. É preciso ler!” A placa é divertida, sem dúvida, e certamente desperta a simpatia de quem conhece a obra. Mas ela também suscita muitos questionamentos: Que livros leríamos se não soubéssemos […]

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26 Julho 2018

ALITERAÇÃO

É um recurso linguístico, ou figura de linguagem, em que se repetem sons CONSONANTAIS (consoantes) a fim de se criarem ritmo e impacto sonoro. Ou seja, é uma ferramenta de estilo.

É muito comum nos trava-línguas, como “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”

 

Exemplos na literatura:

“De tudo que é nego torto

Do mangue e do cais do porto

Ela já foi namorada

O seu corpo é dos errantes

Dos cegos, dos retirantes

É de quem não tem mais nada”

(Chico Buarque)

 

“ela espanta e encanta
na mesma rima
e na mesma cama”

(Léo Ottesen)

 

ASSONÂNCIA

Similar à aliteração, mas se repetem sons VOCÁLICOS (vogais). Difere-se da simples rima uma vez que não necessariamente aparece no final das palavras e frases ou versos.

 

Exemplos na literatura:

“Lava roupa todo dia, que agonia

Na quebrada da soleira, que chovia

Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada

Uma mulher não deve vacilar”

(Luiz Melodia)

 

ela espanta e encanta
na mesma rima
e na mesma cama

(Léo Ottesen)

 

MALSONÂNCIA

A aliteração e a assonância, enquanto figuras de estilo, servem a propósitos artísticos, são ferramentas que os autores utilizam a fim de causar algum efeito, como os sonoros de ritmo (principalmente, na música, mas também na poesia) e os sonoros de imagem. Por exemplo: o T (com sons de T e TCH, “tanto”, “tinha”) e o K (“quanto”, “casa”, “cai”) são sons secos, lembram algo batendo, por isso são utilizados em textos que tenham a ver com alguma forma de violência, ainda que branda.

Ainda que de forma inconsciente, os autores utilizam essas ferramentas com um sentido específico, ou seja, não são por acaso.

Já quando essa utilização é acidental, sem propósito, e causa algum desconforto no leitor ou ouvinte, ela é malsonante, isto é, soa mal.

 

Exemplo do próprio texto:

“(…) são sons secos…”

A repetição do S faz com que a voz na nossa mente sibile, imite uma cobra, mas isso não tem função poética, já que o texto é explicativo. Nesse caso, a aliteração não é uma figura, mas um vício de linguagem chamado de malsonância.

 

CACOFONIA

Um tipo de malsonância em que se formam outras palavras a partir dos sons já existentes.

 

Exemplos clássicos:

“Eu amo ela.” (moela)

“Eu vi ela.” (viela)

“Música gaúcha.” (caga)

 

BÔNUS: Durante uma aula de conversação em francês, eu disse que, do alto do apartamento, se via “une mer de personnes” (um mar de gente). Minha professora disse que tava ótimo, mas eu devia tirar a merda (mer de).

 

ALITERAÇÃO É um recurso linguístico, ou figura de linguagem, em que se repetem sons CONSONANTAIS (consoantes) a fim de se criarem ritmo e impacto sonoro. Ou seja, é uma ferramenta de estilo. É muito comum nos trava-línguas, como “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”   Exemplos na literatura: “De tudo que é […]

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Léo Ottesen é escritor, poeta e professor de escrita criativa.