1 Setembro 2021

Na maior parte dos contextos, comunicar-se bem significa falar ou escrever de forma simples e clara. Muitas vezes, quem tenta “falar difícil” acaba escolhendo palavras inadequadas, que, embora sejam parecidas (e possam soar mais sofisticadas), têm significados diferentes. Veja alguns casos:

👉 Solidão x solitude
Solidão: estado de quem sofre por estar só (sentimento negativo)
Solitude: estado de quem se isola de propósito para desfrutar do tempo (sentimento positivo)

👉 Luxo x luxúria
Luxo: abundância, suntuosidade excessiva
Luxúria: lascívia; desejo sexual intenso

👉 Problema x problemática
Problema: impasse; situação negativa difícil de resolver
Problemática: conjunto de características ou questões de mesma natureza ou relativas a um mesmo tema ou ideia (exemplo: a problemática da alfabetização)

👉 Liberdade x libertinagem
Liberdade: estado de quem é livre, independente
Libertinagem: devassidão; comportamento de quem se entrega desmedidamente a prazeres sexuais

👉 Simples x simplista
Simples: descomplicado, modesto, fácil
Simplista: que faz simplificações exageradas e reducionistas

Conhece outros termos que confundem?

🌟 Atenção: estão abertas as inscrições para o curso de Atualização Gramatical com um valor único. Acesse aqui!

Na maior parte dos contextos, comunicar-se bem significa falar ou escrever de forma simples e clara. Muitas vezes, quem tenta “falar difícil” acaba escolhendo palavras inadequadas, que, embora sejam parecidas (e possam soar mais sofisticadas), têm significados diferentes. Veja alguns casos: 👉 Solidão x solitude Solidão: estado de quem sofre por estar só (sentimento negativo) […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



16 Agosto 2021
Do papel surgiu a papelaria, do pastel a pastelaria, do sorvete a sorveteria, da cerveja a cervejaria e assim por diante. Para um brasileiro, não é preciso decorar nada para saber que os sufixos “eria” e “aria” podem designar um estabelecimento especializado em algo (se você sabia isso sem nunca ter pensado sobre esses sufixos, é porque a informação faz parte da sua “gramática internalizada”, aquele conjunto de “regras” que todos aprendem interagindo uns com os outros na sociedade, lendo, ouvindo etc.).Via @portugueselegal
 
O acréscimo de um sufixo às palavras é um dos mecanismos para a formação de novos termos. Como os sufixos -eria e -aria ajudam a designar um estabelecimento, eles podem ser adicionados a outras palavras e formar termos que, até então, não existiam.
Via @portugueselegal
Pamonharias, tapiocarias, brigaderias, empaderias, paleterias, esmalterias e outros estabelecimentos existem mesmo que as palavras não façam parte da língua portuguesa oficialmente. Se é apenas modismo ou se as palavras vieram para ficar é algo que só o tempo vai dizer. O termo “temakeria”, por exemplo, já está em dicionários como Houaiss e Michaelis.
 
Novas palavras surgem o tempo todo como consequência da necessidade dos falantes. Achar que um termo como “brigaderia” soa mal é um direito (e uma tendência dos usuários mais conservadores em relação à língua), mas não tem influência alguma sobre a possibilidade de ele se solidificar na língua ou não. Dicionários podem ser uma ferramenta de validação do uso consolidado de um termo, mas isso não significa que as palavras não dicionarizadas não tenham legitimidade ou autonomia. Só nos resta esperar.
(Eu não disse que português era legal?)
 
Via @portugueselegal
Para cursos, siga @portuguespravida.cursos.

Do papel surgiu a papelaria, do pastel a pastelaria, do sorvete a sorveteria, da cerveja a cervejaria e assim por diante. Para um brasileiro, não é preciso decorar nada para saber que os sufixos “eria” e “aria” podem designar um estabelecimento especializado em algo (se você sabia isso sem nunca ter pensado sobre esses sufixos, […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



7 Julho 2021
Quem comenta sobre o tempo no elevador não está necessariamente interessado em meteorologia. O frio, o calor, a chuva, o vento e outras amenidades do dia a dia podem surgir na fala de quem tenta puxar assunto não para um aprofundamento do tópico escolhido, mas para estabelecer vínculo, para demonstrar abertura, para sinalizar algum tipo de simpatia ou amabilidade.
 
A língua não é literal e transparente, e por isso nossas falas nem sempre dizem aquilo que parecem dizer. Logo, um “Oi, tudo bem?” pode representar um cumprimento despretensioso, mesmo que tenha ares de curiosidade ou desejo de conhecer a condição do interlocutor. Uma construção mais informal é o “E aí?”, que pode ter como resposta um novo “E aí?”. Pode parecer não haver mensagem nesse diálogo, mas com ele se estabeleceu uma interlocução entre os falantes envolvidos. “Pois é.”
Esses são exemplos da função fática da linguagem, pois demonstram um empenho do emissor em iniciar ou manter a comunicação (outros exemplos mostram que esse “pendor para o contato” também poderia servir para “atrair a atenção do interlocutor ou confirmar sua atenção continuada” – trechos de Roman Jakobson em “Linguística e comunicação”).
 
Engana-se quem acha que tudo isso significa que o “Tudo bem?” não pode ter como resposta um relato de alegrias, mazelas e acontecimentos da vida. Em uma situação comunicativa, o que determina o significado real das frases é o contexto: quem são as pessoas envolvidas, qual é seu grau de intimidade, qual é a situação, quão interessadas as pessoas estão na resposta etc. Há cenários em que o “Tudo bem?” poderá significar “Boa tarde”, “Como vai?”, “Deu certo?”, “Você está melhor?”, “As coisas ficaram bem?”, “Posso falar com você?”, “Precisa de algo?” etc. Sendo assim, mesmo no Brasil de 2021, não é preciso extinguir o “Tudo bem?” como se a pergunta fosse insensível ou como se as respostas fossem óbvias. Elas podem ser mais variadas do que qualquer dicionário nos faria supor.
 
Texto de @carolinajesper.
Cursos: @portuguespravida.cursos.
Esta postagem foi inspirada pelo seguinte tuíte de @camilarrregi:
Se ensinassem pras pessoas que “oi, tudo bem?” exerce uma coisa chamada função fática não ficariam tão putos com essa pergunta. quem pergunta isso quer iniciar uma conversa, não saber como vc tá literalmente

Quem comenta sobre o tempo no elevador não está necessariamente interessado em meteorologia. O frio, o calor, a chuva, o vento e outras amenidades do dia a dia podem surgir na fala de quem tenta puxar assunto não para um aprofundamento do tópico escolhido, mas para estabelecer vínculo, para demonstrar abertura, para sinalizar algum tipo […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



4 Julho 2021

Leia:

Foto do escritor Fernando Pessoa acompanhada pelo texto "Ainda não existia Facebook e eu já tinha 4 perfis falsos".

Recebi a piada pelo Whatsapp e trouxe para cá para conversarmos sobre um assunto muito relevante: conhecimento prévio.
Quem poderia rir desta imagem? Há alguns “pré-requisitos”:
• Perceber que a pessoa retratada é o Fernando Pessoa;
• Saber que Fernando Pessoa é conhecido por ter escrito usando heterônimos;
• Saber que muitas pessoas criam perfis falsos em redes sociais.

Essas informações, que podem ser consideradas “conhecimento de mundo”, são essenciais para a compreensão do texto e da imagem, que brincam com um dado histórico, relacionando-o a uma tendência da atualidade. Muitas vezes, a falta de compreensão na leitura ocorre porque o leitor não dispõe de informações que seriam necessárias para a construção do sentido do texto. Por isso, manter-se informado e conhecer minimamente saberes de diversas épocas e diversas áreas pode ser um recurso relevante para a interpretação de textos.

Gosta desse assunto? Quer saber mais sobre ele? Conte nos comentários quais curiosidades você tem.

Leia: Recebi a piada pelo Whatsapp e trouxe para cá para conversarmos sobre um assunto muito relevante: conhecimento prévio. Quem poderia rir desta imagem? Há alguns “pré-requisitos”: • Perceber que a pessoa retratada é o Fernando Pessoa; • Saber que Fernando Pessoa é conhecido por ter escrito usando heterônimos; • Saber que muitas pessoas criam […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.