24 Fevereiro 2015

 Por Renato Tresolavy

Talvez não seja exagero dizer que assim que colocamos o pé para fora da cama, somos estimulados a argumentar. Se você, por exemplo, se propôs a fazer atividade física naquela manhã e bateu uma preguiça incontrolável, você pode tentar se convencer, com argumentos, de que vale a pena acordar mais cedo para fazer exercícios, afinal é uma questão de saúde. Com a atividade física, você pode perder aqueles quilinhos a mais, aumentar sua força muscular, ganhar condicionamento cardiorrespiratório, ou seja, vai ganhar mais força e mais resistência.

A habilidade da argumentação é condição básica para sustentar opiniões, discutir ideias, defender seu ponto de vista, analisar opiniões contrárias às suas, enfim, refletir sobre o mundo, sobre a vida. Não é à toa que provas para admissão em um emprego, vestibulares e concursos públicos exigem de seus candidatos essa habilidade, por meio da conhecida redação dissertativa. Uma dissertação bem redigida mostra que o candidato possui raciocínio organizado, tem repertório de informações, apresenta bom nível de conhecimentos e sabe defender suas posições com argumentos.

É comum ouvir que o texto dissertativo-argumentativo é composto por introdução, desenvolvimento e conclusão. Mas essa composição, apesar de importante, diz pouco e também pouco ajuda na tarefa de escrever um texto do gênero. Para redigir um texto argumentativo, é preciso identificar o tema proposto, analisar algum problema envolvido nesse tema, levantar hipóteses sobre o problema, adotar uma tese e argumentar a favor dessa tese escolhida, como ensina o professor Antônio Suárez Abreu no livro Curso de Redação, publicado pela Editora Ática. Vamos a um exemplo.

Diante de um tema como a Esmola, procure analisar um problema envolvendo esse tema, faça um recorte desse tema para não expandir demais seu texto e por consequência perder o foco. O problema pode ser formulado por uma pergunta como: dar esmolas perpetua a miséria? É essa pergunta que você vai tentar responder ao longo de seu discurso. Vale lembrar: não existe resposta certa ou errada para essa pergunta; você pode concordar ou não com a doação de esmolas. Não se esqueça também de que os temas de redação sempre envolvem questões controversas, ou seja, propostas ou questões sobre as quais há divergência de opiniões.

Procure levantar hipóteses para responder essa pergunta: se você é a favor da esmola, diga que esse é um ato de solidariedade necessário diante de uma sociedade tão desigual. Se você for contra a esmola, defenda que a esmola provoca acomodação e facilita a exploração infantil por parte dos próprios pais ou responsáveis. A escolha é sua. Há muitas outras hipóteses envolvidas nesse problema. A hipótese que você escolher será sua tese.

Adotada a tese, é hora de argumentar a favor dela, defender seu ponto de vista para concluir seu raciocínio. Como afirma o mesmo professor Antônio Suarez Abreu, em seu livro A arte de argumentar (leitura que recomendamos fortemente), “seja em família, no trabalho, no esporte ou na política, saber argumentar é, em primeiro lugar, saber integrar-se ao universo do outro. É também obter aquilo que queremos, mas de modo cooperativo e construtivo, traduzindo nossa verdade dentro da verdade do outro”.

Portanto, ao argumentar a favor de sua tese, é fundamental respeitar a opinião divergente e considerá-la em seu texto para refutá-la em função de sua opinião. Essa refutação fortalece sua tese, mas sempre conteste opiniões diferentes da sua de modo ético e solidário, sem desrespeitos nem violência, já que argumentar é discutir ideias, semear conhecimentos, estabelecer relações, e não provocar discórdias nem conseguir o que se quer com o uso da força.

 

RTRenato Tresolavy

Meu nome é Renato Luiz Tresolavy, sou editor de livros didáticos e fui professor de escola pública. Neste espaço do site Portuguêé Legal, gentilmente cedido pela minha amiga Carol Pereira, proponho discutir com estudantes, pais e professores assuntos que envolvem o ensino e aprendizagem de gramática, produção de textos, leitura e literatura. A cada semana, pretendo trazer aqui um tema diferente sobre o universo maravilhoso do Português.

 

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argumentopel

 Por Renato Tresolavy

Talvez não seja exagero dizer que assim que colocamos o pé para fora da cama, somos estimulados a argumentar. Se você, por exemplo, se propôs a fazer atividade física naquela manhã e bateu uma preguiça incontrolável, você pode tentar se convencer, com argumentos, de que vale a pena acordar mais cedo para fazer exercícios, afinal é uma questão de saúde. Com a atividade física, você pode perder aqueles quilinhos a mais, aumentar sua força muscular, ganhar condicionamento cardiorrespiratório, ou seja, vai ganhar mais força e mais resistência.

A habilidade da argumentação é condição básica para sustentar opiniões, discutir ideias, defender seu ponto de vista, analisar opiniões contrárias às suas, enfim, refletir sobre o mundo, sobre a vida. Não é à toa que provas para admissão em um emprego, vestibulares e concursos públicos exigem de seus candidatos essa habilidade, por meio da conhecida redação dissertativa. Uma dissertação bem redigida mostra que o candidato possui raciocínio organizado, tem repertório de informações, apresenta bom nível de conhecimentos e sabe defender suas posições com argumentos.

É comum ouvir que o texto dissertativo-argumentativo é composto por introdução, desenvolvimento e conclusão. Mas essa composição, apesar de importante, diz pouco e também pouco ajuda na tarefa de escrever um texto do gênero. Para redigir um texto argumentativo, é preciso identificar o tema proposto, analisar algum problema envolvido nesse tema, levantar hipóteses sobre o problema, adotar uma tese e argumentar a favor dessa tese escolhida, como ensina o professor Antônio Suárez Abreu no livro Curso de Redação, publicado pela Editora Ática. Vamos a um exemplo.

Diante de um tema como a Esmola, procure analisar um problema envolvendo esse tema, faça um recorte desse tema para não expandir demais seu texto e por consequência perder o foco. O problema pode ser formulado por uma pergunta como: dar esmolas perpetua a miséria? É essa pergunta que você vai tentar responder ao longo de seu discurso. Vale lembrar: não existe resposta certa ou errada para essa pergunta; você pode concordar ou não com a doação de esmolas. Não se esqueça também de que os temas de redação sempre envolvem questões controversas, ou seja, propostas ou questões sobre as quais há divergência de opiniões.

Procure levantar hipóteses para responder essa pergunta: se você é a favor da esmola, diga que esse é um ato de solidariedade necessário diante de uma sociedade tão desigual. Se você for contra a esmola, defenda que a esmola provoca acomodação e facilita a exploração infantil por parte dos próprios pais ou responsáveis. A escolha é sua. Há muitas outras hipóteses envolvidas nesse problema. A hipótese que você escolher será sua tese.

Adotada a tese, é hora de argumentar a favor dela, defender seu ponto de vista para concluir seu raciocínio. Como afirma o mesmo professor Antônio Suarez Abreu, em seu livro A arte de argumentar (leitura que recomendamos fortemente), “seja em família, no trabalho, no esporte ou na política, saber argumentar é, em primeiro lugar, saber integrar-se ao universo do outro. É também obter aquilo que queremos, mas de modo cooperativo e construtivo, traduzindo nossa verdade dentro da verdade do outro”.

Portanto, ao argumentar a favor de sua tese, é fundamental respeitar a opinião divergente e considerá-la em seu texto para refutá-la em função de sua opinião. Essa refutação fortalece sua tese, mas sempre conteste opiniões diferentes da sua de modo ético e solidário, sem desrespeitos nem violência, já que argumentar é discutir ideias, semear conhecimentos, estabelecer relações, e não provocar discórdias nem conseguir o que se quer com o uso da força.

 

RTRenato Tresolavy

Meu nome é Renato Luiz Tresolavy, sou editor de livros didáticos e fui professor de escola pública. Neste espaço do site Portuguêé Legal, gentilmente cedido pela minha amiga Carol Pereira, proponho discutir com estudantes, pais e professores assuntos que envolvem o ensino e aprendizagem de gramática, produção de textos, leitura e literatura. A cada semana, pretendo trazer aqui um tema diferente sobre o universo maravilhoso do Português.

 

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  • Virgínia Ramalho

    Importante espaço da LP, parabéns!
    Virgínia.

  • kamila subtil

    Parabéns pela iniciativa! Adorei o site e gostaria de receber notificações das publicações em meu e-mail. Abç

  • Muito boa a orientação.ProfNaíola

  • Renato Soares

    Ótimas dicas, obrigado.

  • Layane Almeida

    Adorei a página!! Irei voltar aqui mais vezes, com certeza!

  • Olivia

    Adorei!! Adicionei aos meus favoritos.

  • Carmen Elisabete de Oliveira

    As dicas são ótimas! Adorei!

  • Rosmeri Zimmermann

    Adorei as dicas e me interessei em ler o livro indicado.