4 Julho 2021

Leia:

Foto do escritor Fernando Pessoa acompanhada pelo texto "Ainda não existia Facebook e eu já tinha 4 perfis falsos".

Recebi a piada pelo Whatsapp e trouxe para cá para conversarmos sobre um assunto muito relevante: conhecimento prévio.
Quem poderia rir desta imagem? Há alguns “pré-requisitos”:
• Perceber que a pessoa retratada é o Fernando Pessoa;
• Saber que Fernando Pessoa é conhecido por ter escrito usando heterônimos;
• Saber que muitas pessoas criam perfis falsos em redes sociais.

Essas informações, que podem ser consideradas “conhecimento de mundo”, são essenciais para a compreensão do texto e da imagem, que brincam com um dado histórico, relacionando-o a uma tendência da atualidade. Muitas vezes, a falta de compreensão na leitura ocorre porque o leitor não dispõe de informações que seriam necessárias para a construção do sentido do texto. Por isso, manter-se informado e conhecer minimamente saberes de diversas épocas e diversas áreas pode ser um recurso relevante para a interpretação de textos.

Gosta desse assunto? Quer saber mais sobre ele? Conte nos comentários quais curiosidades você tem.

Leia: Recebi a piada pelo Whatsapp e trouxe para cá para conversarmos sobre um assunto muito relevante: conhecimento prévio. Quem poderia rir desta imagem? Há alguns “pré-requisitos”: • Perceber que a pessoa retratada é o Fernando Pessoa; • Saber que Fernando Pessoa é conhecido por ter escrito usando heterônimos; • Saber que muitas pessoas criam […]

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Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



4 Julho 2021

Onde está o significado? Somente nas palavras escolhidas? Somente na intenção do autor? Somente na forma de dispor as palavras?⁣⁣
Como palavras idênticas podem criar efeitos tão diferentes quando mudamos os contextos? Como palavras idênticas podem gerar sensações tão distintas?⁣⁣
⁣⁣
O desafio da interpretação é que, para construir sentido, TUDO CONTA. E o sentido não vem “pronto”: é o leitor que vai juntando todos os elementos que tem a seu dispor e, assim, constrói o sentido daquilo que lê.⁣⁣
⁣⁣
Ler significa, também, decodificar o que é óbvio. Mas é mais que isso, pois também requer que o leitor identifique os sentidos que estão ali presentes, mas nas entrelinhas. Por isso, em alguma medida, ler implica identificar o que está além do nível das evidências, mas sem extrapolar, pois a interpretação tem limites. É fácil? Não é. Mas é envolvente, desafiador e muito frutífero. Um bom primeiro passo é perceber que não basta ser alfabetizado para ser um bom leitor.⁣⁣

Observe:


⁣⁣
Esta imagem foi traduzida do inglês. Ela brinca com extremos explícitos: o da fonte sobrecarregada de corações e o da fonte que lembra manchas de sangue. No nosso dia a dia, os traços que buscam nos influenciar e gerar sensações em nós, leitores/consumidores, tendem a ser mais sutis, mas também estão lá. Por isso, em um mundo tão imagético como o nosso, não basta processarmos palavras, pois todo detalhe importa: mensagem, fonte, cores, tamanhos, disposição etc.⁣⁣
⁣⁣
Pode acreditar: cada vez que você passa a estar atento a um aspecto que antes passava despercebido, você se torna um leitor melhor. ❤️⁣⁣

Onde está o significado? Somente nas palavras escolhidas? Somente na intenção do autor? Somente na forma de dispor as palavras?⁣⁣ Como palavras idênticas podem criar efeitos tão diferentes quando mudamos os contextos? Como palavras idênticas podem gerar sensações tão distintas?⁣⁣ ⁣⁣ O desafio da interpretação é que, para construir sentido, TUDO CONTA. E o sentido […]

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21 Junho 2019
Carolina Pereira
Observe a imagem com atenção. Antes de comentar, farei algumas perguntas (preservando a licença poética e personificação da imagem).
 
• As pinturas retratam a realidade de modo fiel?
• Aparentemente, houve a intenção de reproduzir a realidade?
• Se outros seres fizessem o mesmo registro, o resultado poderia ser o mesmo?
• Sem discutir a ilustração com seres diferentes, o/a personagem seria capaz de perceber que seus registros não correspondem com exatidão à realidade?
 
Vocês provavelmente já sabem onde quero chegar. Quando falamos sobre interpretação de texto, muitas pessoas (leigas, em geral) acreditam que todas as “leituras” devem ser respeitadas. Podemos entender por que alguém leu como leu, de modo respeitoso, mas existem leituras possíveis e leituras erradas. O chifre do rinoceronte não faz parte da paisagem, mas somente confrontando a própria visão às de outros seres seria possível que o artista colocasse em xeque a própria interpretação.
 
O mesmo acontece quando lemos. Muitas vezes, nossa interpretação não é bem feita porque resulta de nossas crenças, visões, posicionamentos etc. Para mostrar que isso não é novidade, compartilho trechos de um texto de 1984, escrito por Luiz Antônio Marcuschi:
 
“[…] o contexto sociocultural, os conhecimentos de mundo, as experiências e as crenças individuais influenciam na organização das inferências durante a leitura. Como lembra Spiro (1980), apesar de pouco sabermos a respeito do problema da compreensão de textos, já emerge como fundamental um consenso, ou seja, que os conhecimentos individuais afetam decisivamente a compreensão, de modo que O SENTIDO NÃO RESIDE NO TEXTO. Assim, embora o texto permaneça como o ponto de partida para a sua compreensão, ele só se tornará uma unidade de sentido na interação com o leitor. […] Não creio que haja razões sérias para se duvidar de que os conhecimentos individuais pré-existentes, sejam quais forem, ativam durante a leitura determinados esquemas, frames, scripts, modelos ou cenários que determinam, nos indivíduos, compreensões qualitativamente diferentes para o mesmo texto.”
 
Será que somos bons leitores, principalmente na internet? Deixamos nossas convicções atrapalharem os processos de inferência? Buscamos reler os textos, discuti-los ou ter acesso ao modo como outras pessoas o compreenderam? Colocamos à prova as “primeiras impressões” que temos ao interpretar algo no texto ou no mundo? Termino com um trecho de uma entrevista publicada em 1982, na qual Paulo Freire diz: “eu acho que um dos princípios fundamentais para ler é aceitar que não se entendeu o que se leu.”.
 
Fonte das citações: BARZOTTO, Valdir Heitor. Estado de leitura. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1999. (Coleção Leituras no Brasil)

Carolina Pereira Observe a imagem com atenção. Antes de comentar, farei algumas perguntas (preservando a licença poética e personificação da imagem).   • As pinturas retratam a realidade de modo fiel? • Aparentemente, houve a intenção de reproduzir a realidade? • Se outros seres fizessem o mesmo registro, o resultado poderia ser o mesmo? • […]

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9 Janeiro 2019

A metáfora é uma figura de linguagem que consiste em comparar duas coisas que mantenham relação de semelhança entre elas, mas de maneira implícita. Assim, a metáfora se difere de outra figura, chamada simplesmente de comparação, porque esta é explícita, apresentando termos comparativos

Exemplos:

Comparação: “Seus olhos são como dois oceanos.” ou “Seus olhos parecem dois oceanos.”

Metáfora: “Seus olhos são dois oceanos.

Dessa forma, entendemos as metáforas como formas poéticas de se falar sobre uma coisa, invocando outra. Então, sobre a frase justificada pela ministra como sendo uma metáfora, será que é mesmo?

NÃO!

O que a senhora faz não é comparar, mas sim representar uma ideia através de uma expressão. Aqui, o que podemos ter é a figura da METONÍMIA ou até ALEGORIA, já que a ministra utiliza as cores para simbolizar os estereótipos e papéis sociais de gênero (além de para ser transfóbica).

“Menino veste azul e menina veste rosa” compreende uma vasta gama de coisas antiquadas não ditas, como: menino brinca de carrinho e menina, de boneca; homem trabalha fora, mulher cuida da casa; homem joga futebol com os amigos, mulher cuida dos filhos; homem gosta de mulher, mulher gosta de homem.

Além disso, segundo a análise do discurso, usando um termo com sentido positivo e poético, como “metáfora”, ela procurou suavizar o impacto real que a sua frase teria, já que o público simpatiza com a beleza das metáforas.

A metáfora é uma figura de linguagem que consiste em comparar duas coisas que mantenham relação de semelhança entre elas, mas de maneira implícita. Assim, a metáfora se difere de outra figura, chamada simplesmente de comparação, porque esta é explícita, apresentando termos comparativos Exemplos: Comparação: “Seus olhos são como dois oceanos.” ou “Seus olhos parecem […]

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Léo Ottesen é escritor, poeta e professor de escrita criativa.