15 Março 2019

Não há resposta simples para um problema complexo, nem uma resposta única para casos de pessoas diversas. Bora analisar? Talvez algum dos tópicos te ajude.

 

1) Quem erra pode não saber que está errando. Por exemplo: quando você vai fazer musculação, natação ou aula de dança, pode ser que o professor note que seus movimentos estão tortos ou incorretos, quando você tinha impressão de estar fazendo tudo perfeitamente. Olhar de fora revela informações que a pessoa nem sempre consegue ter sobre si. Por isso, a intervenção de um professor é fundamental para todo aprendiz. Além disso, quando lidamos com algo que achamos que está certo, aquela pulga atrás da orelha que poderia nos salvar acaba nos deixando na mão. Quem não sabe que “por em XEQUE” se escreve assim pode ficar satisfeito com a grafia “cheque”. Quem já se acostumou com “dó” como uma palavra feminina não vai checar no dicionário se o certo seria dizer “estou com um dó”. Quem acha que sabe conjugar o verbo “intermediar” não vai consultar uma gramática e pode achar estranha a forma (correta) “eu intermedeio”. Do mesmo modo, quem está acostumado a ler sempre “concerteza” pode nem prestar atenção quando lê “com certeza” e não se atentar para a diferença.

 

2) Muitas pessoas que não frequentaram boas escolas têm tido acesso ao ensino superior, o que cria uma leva de universitários ou pessoas diplomadas com conhecimento restrito de língua portuguesa. Muitas vezes, essas pessoas não sabem que têm um conhecimento frágil. Se você conhece alguém nessa situação, informe essa pessoa. O uso da norma-padrão confere credibilidade a profissionais de diversas áreas e é muito importante (é por acreditar nisso que estamos na internet desde 2012 espalhando informações e vamos lançar em 2019 um curso on-line de Atualização Gramatical).

 

3) Há erros de diferentes naturezas que revelam muitas informações extralinguísticas. Muitas pessoas consideradas cultas usam de modo inadequado a expressão “a nível de”. Em geral, trata-se de alguém que está tentando falar com sofisticação, mas erra. É diferente de alguém que usa “menas”, “mais mió”, “pobrema”, “modiquê”. Esse tipo de erro é característico de meios sociais economicamente menos favorecidos, razão pela qual a reclamação sobre esse tipo de uso costuma ser vista como preconceito linguístico e social. Quem fala “mais mió” provavelmente não teve acesso a um ensino de qualidade, ou não teve oportunidade de se atualizar. Se teve, pode ter priorizado outros aspectos do ensino, sem se dar conta de que não fala o português considerado adequado em contextos mais formais.

 

4) É comum ficarmos cegos aos nossos próprios erros. Sou formada em Letras, tenho pós-graduação em Tradução e mestrado em Educação. Já fui revisora, tradutora e editora de livros. Releio todas as publicações antes de postar aqui, e às vezes algum seguidor deixa um comentário avisando que errei. Acontece. Mesmo com experiência em língua portuguesa, contratei outro revisor para todos os meus trabalhos acadêmicos, pois alguns erros meus passaram batido para mim.

 

5) Quem não conhece determinada regra não tem como se avaliar. Há pessoas que leem muito e que, apesar de terem muito conhecimento, não conseguem expandir o repertório ortográfico. Algumas pessoas precisam correr atrás disso com mais afinco (como professores), mas há outras para quem isso não será prioridade. E tudo bem.

 

6) Não ridicularize alguém que deveria ter um conhecimento e não tem, sobretudo se você for professor. Não há nada de pedagógico em fazer um aluno se sentir inferiorizado, quando na verdade ele precisa de motivação para recuperar o tempo perdido e se empenhar em uma tarefa que será longa (porque eterna). Não se conclui o estudo de língua materna nunca, então ele precisa ser iniciado e mantido com serenidade.

 

“Mas eu não posso me indignar quando alguém não usa a língua portuguesa corretamente?”

 

Pode! Você pode se incomodar com alguns usos, pode achar alguns mais bonitos ou feios que outros, pode se indignar com pessoas específicas que tiveram acesso a boas escolas e não aproveitaram etc. Também lamentamos que o conhecimento dos padrões da língua seja tão restrito. Mas a gente resolve isso compartilhando ensinamentos, e não expondo ou ridicularizando as pessoas.

Nossa opinião é esta, e a sua?

Não há resposta simples para um problema complexo, nem uma resposta única para casos de pessoas diversas. Bora analisar? Talvez algum dos tópicos te ajude.

 

1) Quem erra pode não saber que está errando. Por exemplo: quando você vai fazer musculação, natação ou aula de dança, pode ser que o professor note que seus movimentos estão tortos ou incorretos, quando você tinha impressão de estar fazendo tudo perfeitamente. Olhar de fora revela informações que a pessoa nem sempre consegue ter sobre si. Por isso, a intervenção de um professor é fundamental para todo aprendiz. Além disso, quando lidamos com algo que achamos que está certo, aquela pulga atrás da orelha que poderia nos salvar acaba nos deixando na mão. Quem não sabe que “por em XEQUE” se escreve assim pode ficar satisfeito com a grafia “cheque”. Quem já se acostumou com “dó” como uma palavra feminina não vai checar no dicionário se o certo seria dizer “estou com um dó”. Quem acha que sabe conjugar o verbo “intermediar” não vai consultar uma gramática e pode achar estranha a forma (correta) “eu intermedeio”. Do mesmo modo, quem está acostumado a ler sempre “concerteza” pode nem prestar atenção quando lê “com certeza” e não se atentar para a diferença.

 

2) Muitas pessoas que não frequentaram boas escolas têm tido acesso ao ensino superior, o que cria uma leva de universitários ou pessoas diplomadas com conhecimento restrito de língua portuguesa. Muitas vezes, essas pessoas não sabem que têm um conhecimento frágil. Se você conhece alguém nessa situação, informe essa pessoa. O uso da norma-padrão confere credibilidade a profissionais de diversas áreas e é muito importante (é por acreditar nisso que estamos na internet desde 2012 espalhando informações e vamos lançar em 2019 um curso on-line de Atualização Gramatical).

 

3) Há erros de diferentes naturezas que revelam muitas informações extralinguísticas. Muitas pessoas consideradas cultas usam de modo inadequado a expressão “a nível de”. Em geral, trata-se de alguém que está tentando falar com sofisticação, mas erra. É diferente de alguém que usa “menas”, “mais mió”, “pobrema”, “modiquê”. Esse tipo de erro é característico de meios sociais economicamente menos favorecidos, razão pela qual a reclamação sobre esse tipo de uso costuma ser vista como preconceito linguístico e social. Quem fala “mais mió” provavelmente não teve acesso a um ensino de qualidade, ou não teve oportunidade de se atualizar. Se teve, pode ter priorizado outros aspectos do ensino, sem se dar conta de que não fala o português considerado adequado em contextos mais formais.

 

4) É comum ficarmos cegos aos nossos próprios erros. Sou formada em Letras, tenho pós-graduação em Tradução e mestrado em Educação. Já fui revisora, tradutora e editora de livros. Releio todas as publicações antes de postar aqui, e às vezes algum seguidor deixa um comentário avisando que errei. Acontece. Mesmo com experiência em língua portuguesa, contratei outro revisor para todos os meus trabalhos acadêmicos, pois alguns erros meus passaram batido para mim.

 

5) Quem não conhece determinada regra não tem como se avaliar. Há pessoas que leem muito e que, apesar de terem muito conhecimento, não conseguem expandir o repertório ortográfico. Algumas pessoas precisam correr atrás disso com mais afinco (como professores), mas há outras para quem isso não será prioridade. E tudo bem.

 

6) Não ridicularize alguém que deveria ter um conhecimento e não tem, sobretudo se você for professor. Não há nada de pedagógico em fazer um aluno se sentir inferiorizado, quando na verdade ele precisa de motivação para recuperar o tempo perdido e se empenhar em uma tarefa que será longa (porque eterna). Não se conclui o estudo de língua materna nunca, então ele precisa ser iniciado e mantido com serenidade.

 

“Mas eu não posso me indignar quando alguém não usa a língua portuguesa corretamente?”

 

Pode! Você pode se incomodar com alguns usos, pode achar alguns mais bonitos ou feios que outros, pode se indignar com pessoas específicas que tiveram acesso a boas escolas e não aproveitaram etc. Também lamentamos que o conhecimento dos padrões da língua seja tão restrito. Mas a gente resolve isso compartilhando ensinamentos, e não expondo ou ridicularizando as pessoas.

Nossa opinião é esta, e a sua?

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Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.