27 Janeiro 2015

A partir de hoje, nosso site passa a ter uma coluna semanal com textos de outras pessoas! O primeiro a entrar no esquema foi o Renato Tresolavy, que já enviou pra gente alguns textos que serão publicados aqui   🙂  Não percam! Eis o primeiro:

 

Neste primeiro texto, vamos conversar sobre o conceito de… texto! O que é um texto? Imagine-se respondendo a essa pergunta. O que você responderia? Bom, não há só uma resposta possível, ou melhor, não há uma resposta única para essa pergunta, já que dependendo da corrente teórica adotada, análise do discurso ou semiótica, por exemplo, o conceito de texto muda consideravelmente. Vamos adotar aqui a perspectiva de texto sob o ponto de vista da linguística textual. Podemos dizer, a partir dessa corrente teórica, que um texto é construção de sentido, produto de uma intenção e pertence necessariamente a um gênero. Vamos explicar ponto a ponto. Segundo o professor Ernani Terra, em seu livro Leitura do texto literário, “o sentido do texto é construído pelo leitor”. Isso significa dizer que os textos nunca estão prontos, esperando apenas sua decodificação, já que língua não é apenas um código esperando ser decifrado. O leitor traz sempre consigo suas experiências, seu repertório, seu conhecimento linguístico para dialogar com o texto que se propõe a ler. Desse diálogo entre autor e leitor, intermediado pelo texto, surge o entendido ou às vezes, o mal-entendido, dependendo do caso.

Os textos são também produtos de uma intenção, porque não existem textos neutros, desprovidos de intenções. Todo texto é marcado pela intencionalidade, aliás, a intenção é a essência de um texto. Há textos que têm a intenção de convencer o leitor de algo, de informar sobre um fato, de emocionar pela poesia, de provocar uma ação, de convocar para participar de uma causa, de ensinar uma receita de bolo. As possibilidades são múltiplas e variadas. Com um texto, enfim, pretendemos exercer influência no leitor conseguindo sua adesão a um propósito comunicativo.

Assumir que os textos pertencem também a um gênero significa dizer, nas palavras do professor Antonio Suárez Abreu, em seu livro O Design da Escrita, que “um texto é sempre produzido em uma situação particular de interação social, seja um editorial, uma propaganda, um telefonema, uma dissertação escolar ou até mesmo um romance…”. Concluímos, então, que, se os textos são produzidos sempre em situação particular de interação, seja ela qual for, todo texto pertence a um gênero. E as possibilidades de gêneros textuais são praticamente infinitas. E antes de encerrar também é importante dizer: os textos se manifestam em diversas formas e linguagens, inclusive não verbais, como placas de trânsito ou mesmo nossos gestos. Há inclusive os hipertextos, textos que apresentam múltiplas linguagens e possibilidades de leitura.

 

RTRenato Tresolavy

Meu nome é Renato Luiz Tresolavy, sou editor de livros didáticos e fui professor de escola pública. Neste espaço do site Portuguêé Legal, gentilmente cedido pela minha amiga Carol Pereira, proponho discutir com estudantes, pais e professores assuntos que envolvem o ensino e aprendizagem de gramática, produção de textos, leitura e literatura. A cada semana, pretendo trazer aqui um tema diferente sobre o universo maravilhoso do Português.

 

A partir de hoje, nosso site passa a ter uma coluna semanal com textos de outras pessoas! O primeiro a entrar no esquema foi o Renato Tresolavy, que já enviou pra gente alguns textos que serão publicados aqui   🙂  Não percam! Eis o primeiro:   Neste primeiro texto, vamos conversar sobre o conceito de… […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



26 Setembro 2014

Ler é legal! E nem precisa ser literatura. Para incentivar outro tipo de leitura, começamos hoje o sorteio do livro “Paul Mccartney – Uma vida”, que traz a biografia de um dos nomes mais importantes do rock, com quem os Beatles criariam canções que marcariam gerações. Para concorrer, curta nossa página no Facebook, compartilhe este link e clique em “Quero participar”!

sorteiefb.com.br/PortuguesELegal/388918

paul_maccartney_uma_vida_mat

Ler é legal! E nem precisa ser literatura. Para incentivar outro tipo de leitura, começamos hoje o sorteio do livro “Paul Mccartney – Uma vida”, que traz a biografia de um dos nomes mais importantes do rock, com quem os Beatles criariam canções que marcariam gerações. Para concorrer, curta nossa página no Facebook, compartilhe este […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



3 Agosto 2014

Bom domingo a todos!

 

pel4

10321134_746643518714708_8785366781618319485_o

Bom domingo a todos!  

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



31 Julho 2014

“Estão assassinando a língua portuguesa”
“Como alguém espera ser levado a sério se não sabe nem falar?”
“Quem escreve ‘a gente’ junto perde muitos pontos comigo”
“Ela disse que foi estrupada (sic)”

Aqui vai o que temos a dizer sobre tudo isso:

De tempos em tempos, recebemos mensagens de pessoas indignadas querendo denunciar a grande incoerência do nosso site, anunciado com a “missão” de apresentar dicas sobre a norma-padrão da língua portuguesa (ou seja, aquela variedade oficial aceita como correta e ensinada nas escolas) e, ao mesmo tempo, compartilhar reflexões contra o preconceito linguístico. “Não sejam hipócritas”, eles dizem, “vocês escrevem corretamente e afirmam que tudo bem as pessoas falarem do jeito delas. Não querem que os outros aprendam?”.

Um breve desvio de rota antes de nos aprofundarmos: ensinamos português para proporcionar uma ampliação de conhecimentos, não para impor uma variedade linguística a uma pessoa que não é falante dela. A língua oficial precisa ser ensinada por ser um dos instrumentos que permite que uma pessoa atue politicamente, mas seu ensino não pode ser opressor. É preciso partir do pressuposto de que não é necessário aprender a “falar direito” para se tornar cidadão; a cidadania é um direito e não algo a ser alcançado. Se as pessoas crescem sem conhecer a língua-padrão, trata-se, na maioria dos casos, de uma dívida do Estado, que não a proporcionou adequadamente. Ninguém pode ficar fadado ao silêncio eterno para não machucar os ouvidos estudados de quem não aprendeu ainda que a língua é de todos, que ela muda e que os modos de falar variam mesmo na esfera individual.

Quem defende que todos os falares sejam respeitados é acusado com frequência de querer que os semianalfabetos, em geral pobres, continuem estagnados na mesma posição social. O que não compreendem, entretanto, é que o ensino não se dá à base de condenação e deboche. Quem zomba de quem “fala errado” ou reproduz seus “erros” com a intenção de escancarar qualquer tipo de inferioridade daqueles que não tiveram oportunidade de aprender o padrão oficial da língua não está se colocando a favor deles; pelo contrário: essas frases evidenciam uma busca por distanciamento, uma tentativa de mostrar que não pertencem ao mesmo grupo, que fazem parte do conjunto seleto dos que conhecem as maneiras corretas de falar ou escrever, supostamente um indício de sua elevação moral e espiritual.

Na mídia impressa, é o “sic” entre parênteses que aparece com a função de apontar os erros que tanto incomodam a quem os identifica. É o que se vê, por exemplo, no texto de um portal de notícias que transcreveu o depoimento de um gari sobre a greve da seguinte maneira: “É um movimento legítimo, aonde (sic) o gari anseia ser reconhecido pelo prefeito”. Ora, mesmo nos meios considerados cultos, “onde” e “aonde” são, com frequência, usados indiscriminadamente, visto que poucos conhecem as convenções que normatizam os usos de cada um desses termos. O “sic” é uma maneira de apontar o dedo dizendo “vejam todos o erro que eu, detentor supremo da norma-padrão, identifiquei”, o que fica nítido por se tratar de um contexto em que a declaração feita deveria ser o único foco de atenção. Não é diferente nos casos em que noticiam mulheres se dizendo vítimas de estupro e que, lamentavelmente, têm sua fala transcrita assim: “estrupo (sic)”. Fica difícil discordarmos do linguista Luiz Antônio Marcuschi quando ele diz que “a transcrição pode reproduzir preconceitos na medida em que discrimina os falantes, deixando, para uns, evidências socioletais em marcas gráficas, anulando essas evidências, para outros”.

Em uma busca rápida por portais de notícia, é possível perceber que esse tipo de ocorrência não costuma ser registrado na maioria dos depoimentos feitos por autoridades, mas é abundante quando se trata de reproduzir falas de garis, empregadas domésticas, travestis e outros grupos comumente discriminados na sociedade.

Há algo de errado quando a gente acha que o modo como uma pessoa fala ou escreve é mais importante do que o que é dito. Partimos do princípio de que respeitar todas as variedades é essencial, mas cientes de que isso não pode ser usado como desculpa para negligenciar o ensino da norma-padrão. Nosso objetivo não é ensinar ninguém a “falar direito” ou a “não cometer erros”, e tampouco queremos dar a impressão de que as pessoas têm a obrigação de conhecer a norma-padrão da nossa língua. Mas achamos que todo mundo tem o direito de conhecê-la. Por isso, procuramos popularizá-la, sim, mas respeitando o conhecimento prévio de cada um, e não classificando-o como incorreto e inadequado. Recorrendo ao Marcuschi novamente, é preciso admitirmos que “a escrita não acrescenta massa cinzenta ao indivíduo que a domina bem como o não domínio da escrita não é evidência de menor competência cognitiva. Deve-se, pois, distinguir entre o conhecimento e a capacidade cognitiva. Quem domina a escrita pode, eventualmente, ter acesso a um maior número de conhecimentos”.

Por fim, não custa lembrar que o preconceito linguístico é só uma maneira de esconder o preconceito social, um preconceito que – esse, sim – estamos longe de superar.

 

Carol é formada em Letras, trabalha com livros didáticos e faz mestrado em Educação. carolinajesper@gmail.com | @minaszilda
Pablo é formado em Letras e trabalha como professor de inglês e tradutor. pblmartins@gmail.com | @pblmartins

[Não está recebendo nossas atualizações no Facebook? Siga-nos no Twitter ou deixe seu e-mail nos comentários para ser notificado quando houver textos novos!]

curta-morris-3Imagem: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

 

“Estão assassinando a língua portuguesa” “Como alguém espera ser levado a sério se não sabe nem falar?” “Quem escreve ‘a gente’ junto perde muitos pontos comigo” “Ela disse que foi estrupada (sic)” Aqui vai o que temos a dizer sobre tudo isso: De tempos em tempos, recebemos mensagens de pessoas indignadas querendo denunciar a grande […]

Leia mais

escrito por

Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.