11 Março 2015

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Nossa missão é combater o preconceito linguístico e dar dicas sobre o padrão da língua, que todos têm o direito de conhecer.



27 Fevereiro 2015

Não dá pra negar: nós julgamos as pessoas com base na maneira como elas falam. Questionamos quando alguém que ocupa um cargo alto comete desvios em relação à norma-padrão da língua, ridicularizamos quem parece assassinar a língua portuguesa (leia mais) e duvidamos de que um presidente que “não sabe nem falar” possa governar nosso país. O fato é: estamos errados. Se nos julgamos cultos e aptos o bastante a ponto de podermos avaliar a fala dos outros, certamente também poderemos tentar entender a razão que a desencadeia. É uma maneira de perceber que o funcionamento da língua é mais complexo do que parece e de pararmos de simplesmente nos queixar em nome de nossos ouvidos sensíveis, que não sabem lidar com variantes da nossa língua. Alguns exemplos:

 

Menas é mais

As pessoas aprenderam que as palavras relacionadas a substantivos femininos devem ficar no feminino. Por exemplo:

muitos homens, muitas mulheres

muitos dias, muitas vezes

muito sono, muita vontade

E, seguindo o mesmo raciocínio, dizem:

Menos cansado, menas cansada

Menos pesado, menas pesada

O “menos”, porém, não tem flexão de gênero. Sendo assim, “menas”, em teoria, não existe. Por que motivo, então, as pessoas usam essa palavra?

Quem diz “menas” usa sempre com palavra feminina. Ninguém vai falar “menas dias” ou “menas homens”, mas sim “menas horas”, “menas vezes”, “menas oportunidades”, “menas fome”. Ou seja: estão aplicando a flexão de gênero, o que estaria certo em quase todos os outros contextos, mas não nesse. O raciocínio está certo. Não se trata de um erro absurdo, de ignorância, burrice ou incompetência. É apenas uma exceção que algumas pessoas desconhecem. Mais que isso: podemos considerar um caso de hipercorreção, pois é justamente por ter um conhecimento que esse equívoco é cometido. O “problema” (que, convenhamos, não constitui de fato um problema) é que um conhecimento que foi adquirido está sendo aplicado em mais contextos do que deveria. Uma pequena inadequação, nada grave.

 

A flor de zíaco

Podemos até achar engraçado, mas antes de deslegitimarmos o indivíduo que fez esse registro, cabe perguntar: Que caminho foi percorrido para que “afrodisíaco” se tornasse “a flor de zíaco”?

Comecemos pela “flor”. Em algumas regiões, é comum a troca do L pelo R (rotacismo, o mesmo fenômeno percebido em “frauta”, “Craudio”, “pranta” etc.), bem como a supressão do R final (como em “dotô”, “amô”, “calô”). Não seria estranho supor, portanto, um falante que refletisse consigo: “bem, eu falo FRÔ, mas a gente escreve FLOR”. Pensemos agora sobre a sílaba “di”, em “afrodisíaco”. Como é comum pronunciarmos i em palavras terminadas com a letra E, seria plausível supor novamente que o falante se convenceu de que falamos “di”, mas devemos escrever “de”. Ou seja, o raciocínio que transformou “afrodisíaco” na flor de zíaco é completamente lógico! Essa nova segmentação, embora provoque risos, não pode ser considerada um resultado de ignorância, uma vez que foram justamente os SABERES do falante que resultaram nela.

 

Quem tem um pobrema tem dois

E quem diz essa frase também tem um problema, que é nunca ter estudado a história da nossa língua (e de outras). O rotacismo, nome dado ao fenômeno de trocar L por R (e vice-versa), é algo verificado ao longo da evolução de várias línguas. No caso do português, há muitas palavras que hoje usamos com R mas que, em sua origem, eram grafadas e pronunciadas com L. Tiramos alguns exemplos de um livro do professor Marcos Bagno:

blandu > brando

flaccu > fraco

obligare > obrigar

plica > prega

Essas mudanças são próprias das línguas! Quando temos mais facilidade para pronunciar determinados sons, tendemos a preferi-los em detrimento de outros. A lei do mínimo esforço é bastante comum nessa área, ou alguém acha que “vossa mercê” era mais fácil de pronunciar que “você”? E por que cortamos o R final do infinitivo dos verbos (“estudá”, “fazê”, “comê”)?
Se achamos que uma pessoa não merece ser ouvida porque não conhece todas as convenções da língua, quem tem um problema somos nós.

 

Por fim…

Não custa lembrar que a nossa mania de rir de quem “fala errado” é menos uma preocupação linguística que nosso ímpeto por discriminar o diferente. Como disse o professor Sírio Possenti: “No fundo, o preconceito linguístico é um preconceito social. É uma discriminação sem fundamento que atinge falantes inferiorizados por alguma razão e por algum fato histórico. Os que dizemos que falam errado são apenas cidadãos que seguem outras regras e que não têm poder para ditar quais são as elegantes.”

 

_________________________________________

PS: Proponho um exercício rápido. Quando criticamos quem comete algum desvio em nossa língua, nos esquecemos de que existem sempre aquelas normas que desconhecemos. Veja as dicas abaixo e responda: você sabia?   🙂

1. A palavra “siclano” não consta em nenhum dicionário! O correto é dizer “fulano, beltrano e sicrano”.

2. “Dó” é uma palavra masculina, portanto, se quisermos ser grammarnazis, deveremos dizer “me deu um dó!” e não “uma dó”.

3. A conjugação correta do verbo VER é “se eu vir”, e não “se eu ver”.

4. Embora seja comum ouvirmos “a champanhe”, essa palavra está registrada em boa parte dos dicionários como substantivo masculino, e no VOLP como substantivo de dois gêneros!

5. Uma crise pode por “em XEQUE” o futuro de nossa cidade, e não “em cheque”.

6. Quem nasce na Bahia é baiano, sem H.

7. Quem torce pro Corinthians é corintiano, sem H.

8. “Mascote” é um substantivo feminino.

9. A frase “Gosto de livros que baseiam-se em histórias reais” está errada. Obrigatoriamente, devemos dizer “livros QUE SE BASEIAM”, pois o “que” atrai o “se”.

10. “Grama” é um substantivo feminino quando estamos falando daquela ervinha verde de jardim. Já a unidade de medida é um substantivo masculino. Por isso pedimos duzentos gramas de presunto, e não duzentas.

 

marcuschiiiiiiiiiiiiiiiii

 

ziaco

 

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Não dá pra negar: nós julgamos as pessoas com base na maneira como elas falam. Questionamos quando alguém que ocupa um cargo alto comete desvios em relação à norma-padrão da língua, ridicularizamos quem parece assassinar a língua portuguesa (leia mais) e duvidamos de que um presidente que “não sabe nem falar” possa governar nosso país. […]

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12 Fevereiro 2015

Temos recebido alguns e-mails de leitores e achamos que valia a pena responder assim, publicamente. Se alguém tiver outras ideias ou discordar de algum ponto, pode colaborar nos comentários.   😉

 

No momento eu estou em dúvida se devo seguir o curso de Letras em uma universidade federal, caso se eu seja aprovada. Eu gosto muito de literatura e de escrever, mas eu não gosto de gramática, e eu não sei se eu iria conseguir aprender tantas regras gramaticais. Bem, eu não sei que a equipe do site não é composta de conselheiros profissionais, mas eu preciso de ajuda e não sei o que fazer. Ficaria muito grata se vcs me ajudassem. Obrigada.
Olá! Pra você saber o quanto teria de se dedicar a isso aí que você está chamando de gramática (leia nosso último texto!), seria importante dar uma olhada no currículo da universidade na qual você pretende estudar. Em algumas, o domínio das convenções da língua é menos exigido, mas há cursos em que esse conteúdo tem um peso grande. De qualquer forma, não se engane: é esperado de um profissional de Letras que conheça bem (e muito bem!) a variedade-padrão da língua. Talvez seja uma chance para que você, em vez de fugir de conteúdos gramaticais, assuma o compromisso de aprendê-los. A gente jura que não é tão difícil assim…

 

Olá, sou formada em Letras e no momento estou sem emprego. Gostaria de saber se vocês tem alguma dica de como eu poderia ganhar dinheiro corrigindo ou produzindo textos em casa? Obrigada!
Olá! Você já pensou em fazer uma página profissional no Facebook e oferecer seus serviços? Pode ajudar, já que muitos desconhecidos chegarão até você. Outra ideia é pedir solicitação para entrar em grupos de algumas faculdades e anunciar neles, uma vez que há sempre algum estudante precisando de revisão de trabalho acadêmico. Também é possível preparar um currículo bem sucinto e atualizado e enviar para editoras solicitando testes de revisão ou elaboração de textos. Boa sorte!

 

Como faço para publicar no site de vocês?
Bem, o primeiro passo é ler bastante coisa do nosso site pra saber mais ou menos como a gente pensa. Se suas ideias forem parecidas com as nossas, seria um prazer publicar seu texto. Somos bem rígidos com essa seleção, mas estamos abertos. Basta enviar o texto e um pequeno resumo sobre quem você é para carolinajesper@gmail.com  🙂

 

Acredito que vocês possam me ajudar com uma dúvida, eu penso em cursar Letras porque gosto muito de literatura, é a minha matéria preferida e vou bem nela. Porém, tenho bastante dificuldade em gramática, talvez seja por isso que acho a matéria tão chata. Eu gostaria de saber se não gostar se gramática seria um empecilho muito grande pra esse curso.
Acreditamos que não seja um empecilho, não. Pessoas “da área” que não gostam ou não dominam as famigeradas “regras gramaticais” é algo mais comum do que se imagina. No entanto, como já dissemos, conhecê-las pode ter grande importância, até mesmo para o estudo da literatura. Verifique as disciplinas disponíveis no curso de Letras nas faculdades em que você tem interesse. Quem sabe não seja uma oportunidade para aprender e gostar mais?

 

Estou com algumas indagações complicadas em minha cabeça, sabe? […] O problema é: eu amo português mas acho que não tenho os pré-requisitos necessários para cursar Letras. Me ajudem! Que ferramentas posso usar para lidar um pouquinho melhor com gramatica? Me indiquem alguns livros e alguns métodos de estudo… Também estudo inglês e não sei como estudar de verdade, como praticar…  Espero que vocês possam me ajudar :/ 
Vamos lá. Você pode recorrer a algumas gramáticas, mas precisa saber que nunca vai sentar pra decorá-las e sim consultá-las em caso de dúvida. É assim que se aprende: pouco a pouco, desconfiando, pesquisando, fazendo anotações, vendo exemplos. A “Gramática Pedagógica do português Brasileiro“, do professor Marcos Bagno, é bem interessante. A “Nova gramática do português brasileiro“, do Ataliba de Castilho, também. Em vez de trazer “revelações” sobre a língua, trazem explicações e convites à reflexão. Se você procura algo mais enxuto, bem… não concordamos muito com a abordagem, mas o livro “Português e Gramática: Erros nunca mais“, do Ivo Korytowski, pode ser útil pra começar.

 

 

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goss

Temos recebido alguns e-mails de leitores e achamos que valia a pena responder assim, publicamente. Se alguém tiver outras ideias ou discordar de algum ponto, pode colaborar nos comentários.   😉   No momento eu estou em dúvida se devo seguir o curso de Letras em uma universidade federal, caso se eu seja aprovada. Eu […]

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9 Fevereiro 2015

Por que seis? Porque estamos agrupando aqui tudo o que postamos em nossa página de janeiro até agora.  😉

Aproveitem!

 

 

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VER TAMBÉM:

parte I

parte II

parte III

parte IV

parte V

Por que seis? Porque estamos agrupando aqui tudo o que postamos em nossa página de janeiro até agora.  😉 Aproveitem!                               VER TAMBÉM: parte I parte II parte III parte IV parte V

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